COOPS DAY 2026: Como o cooperativismo sustenta o desenvolvimento local e já representa 17% do PIB estadual
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Às vésperas do Dia Internacional do Cooperativismo, Sistema OCB/MT destaca como a inclusão financeira, a geração de mais de 15 mil empregos diretos e o reinvestimento de sobras constroem comunidades seguras e prósperas no campo e na cidade.
No próximo dia 4 de julho, celebra-se o Dia Internacional do Cooperativismo (Coops Day 2026). Sob o tema global Cooperativas por um mundo pacífico, a celebração deste ano propõe uma reflexão profunda: a paz não é apenas a ausência de conflitos, mas o resultado prático da justiça social e da inclusão econômica, conceito conhecido como paz positiva.
A definição do tema é realizada conjuntamente pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI), e pelo Copac, que reúne organismos internacionais vinculados à Organização das Nações Unidas (ONU) e parceiros estratégicos do setor.
Celebrado anualmente no primeiro sábado de julho (em 2026, no dia 4) o Coops Day chega à sua 104ª edição no âmbito do movimento cooperativista e à 32ª como data reconhecida oficialmente pela ONU. A proposta dialoga com o cenário global atual, marcado por tensões geopolíticas, desigualdades e desafios que exigem respostas baseadas em cooperação e confiança.
Em Mato Grosso, esse cenário deixa de ser abstrato e ganha contornos reais por meio dos números expressivos do setor. As cooperativas já respondem por 17% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, apoiando o desenvolvimento socioeconômico de norte a sul do estado.
Dados do mais recente Anuário do Cooperativismo de Mato Grosso apontam que o setor movimentou R$ 47,95 bilhões em ingressos e reúne 1,79 milhão de cooperados ligados a uma das 171 cooperativas registradas no Sistema OCB/MT.
Um dos pilares mais evidentes da construção de pontes pelo cooperativismo é a capilaridade das cooperativas de crédito. Atualmente, em 40 municípios de Mato Grosso, as cooperativas são a única instituição financeira fisicamente presente. Sem elas, milhares de pequenos produtores, microempreendedores e cidadãos teriam que se deslocar grandes distâncias para obter crédito, inviabilizando negócios locais e gerando vulnerabilidade social.
Ao oferecer taxas mais justas e reinserir o crédito na própria comunidade, o modelo impede o colapso econômico de pequenas localidades. A união de forças dá escala de mercado a quem, individualmente, não conseguiria competir.
Mais de 15 mil empregos: estabilidade na cidade e no campo
A dignidade do trabalho é outro fator na prevenção de tensões sociais. O cooperativismo mato-grossense consolidou-se como um dos principais e mais estáveis empregadores do estado, registrando mais de 15 mil empregos diretos — um salto expressivo de mais de 55% em comparação a 2020.
Essa força de trabalho distribui-se de forma equilibrada entre os ramos fundamentais para a economia estadual, com destaque para as 72 cooperativas agropecuárias, seguidas pelos ramos de Trabalho, Produção de Bens e Serviços (TPBS), Transporte e Saúde. As vagas geradas no cooperativismo são resilientes e tendem a valorizar a diversidade e a retenção de talentos locais, promovendo segurança financeira de longo prazo para milhares de famílias.
Justiça Social: o retorno que fica em Mato Grosso
Enquanto o lucro corporativo tradicional frequentemente migra para grandes centros ou fundos internacionais, as sobras do cooperativismo permanecem onde foram geradas. Somente no último ciclo anual, o cooperativismo mato-grossense destinou aproximadamente R$ 118 milhões ao Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (FATES).
Esse recurso retorna diretamente à população sob a forma de cursos de capacitação técnica, programas de educação financeira, incentivo a jovens e mulheres lideranças e projetos assistenciais nas comunidades.
"Quando olhamos para o tema Cooperativas por um mundo pacífico, entendemos que o nosso papel em Mato Grosso é criar as condições para que as pessoas prosperem juntas. Onde existe uma cooperativa forte, existe menor desigualdade, há mais diálogo e as oportunidades são compartilhadas. É o equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a segurança social das cidades que garante um estado estável", destaca o superintende do Sistema OCB/MT, Frederico Azevedo.